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... O retrato para Mangiavacchi certamente não é convencional, às vezes no limite da abstração é um magma de cores acesas, vibrantes, de contrastes ousados, que colocam em foco a personalidade da pessoa, captada no decorrer do cotidiano, os seus aspectos emocionais, o se ser interior, num processo criador dominado por uma prepotente gestualidade. Poucas pinceladas criam e cancelam,desenham e confundem, focalizam e afastam: clarões de luz, relâmpagos improvisos, uma cor sensual transformam as figuras, os rostos em ícones tratados com inteligência e vivacidade, numa busca de descomposição e síntese que faz pensar em uma indagação psicanalítica. Coisa que claramente transparece pela forma compositiva frequentemente utilizada pelo artista que faz uso de uma arquitetura de módulos pintados: repetidas e variadas imagens do sujeito retratado, apresentados insistentemente em atitudes parecidas ou diferentes, recortes-fotogramas que se realizam em primeiros planos de decidido impacto evocativos, sequencias cinematográficas dominadas pela sensualidade em technicolor de um diretor-artista que junta a impertinente argúcia de Roma com o ardor, a vivacidade, o ousado cromatismo do Brasil que o adotou.

    

Sem duvida duas culturas, a italiana de origem e a brasileira de aquisição, estão na base do trabalho de Mangiavacchi, pintor para o qual a escolha do tema é antes de tudo uma ocasião para fazer pintura. Fora dos esquemas convencionais, mesmo não renunciando a significados mais íntimos e complexos que não se exaurem numa pesquisa estética, mas enfrentam cada vez validos temas da observação não desencantada da realidade social ou do estudo da personalidade humana.

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Texto de Carmine Siniscalco, publicado no catalogo

da exposição “IL RITRATTO COME ANTICONVENZIONE” em 1999

na Galeria - STUDIO S ARTE CONTEMPORANEA - em Roma.

 

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