ADRIANO MANGIAVACCHI
 

A exposição de pinturas de Adriano Mangiavacchi, em novembro último na Galeria Saramenha, apresenta dez trabalhos de grandes formatos, com até 260x200 cm. Radicado no Brasil há dezoito anos, esse artista italiano que ainda nos anos sessenta estudou pintura na Academia de Brera, em Milão, vem buscando, desde essa época, com alguns hiatos, encontrar seu caminho como pintor. Em 1975, depois de ter trabalhado alguns anos na engenharia industrial da Fiat, Adriano retoma seus estudos, passando a frequentar o curso de Luiz Áquila, em Petrópolis. Posteriormente, já em 1980, o artista dedica-se de modo exclusivo à pintura investindo em sua formação crítica, na disciplina de trabalho e na procura de uma linguagem própria.
    

Inicialmente voltado para a representação da figura feminina, Adriano sempre se sentiu atraído por grandes formatos, talvez por causa do caráter expressionista de sua pincelada farta, de grandes gestos que dificilmente poderiam expandir-se em espaços reduzidos. Seu interesse pela cor e pela matéria pictórica levou-o a fotografar muros pixados, onde o acúmulo aleatório de inscrições, pedaços de cartazes e pinceladas constituíam um pré-universo que hoje se manifesta claramente em suas telas.
    

Sua obra atual combina influências do expressionismo abstrato norte-americano, revelada pela utilização de grandes formatos e pelo caráter expressivo das pinceladas, com as informalismo europeu, presente no modo pelo qual ocupa o espaço na tela. O uso de cores fortes, provavelmente é fruto da vivência da luz tropical e da exuberância de contrastes cromáticos encontrada no Brasil.
    

A obra resulta do embate vigoroso da pasta pictórica com o espaço, cuja ordem decorre de sua ocupação pela cor e pelo empastamento da tinta. Trata-se aí de uma concepção de estrutura que difere radicalmente da ordem geométrica desenvolvida pela pintura construtiva, contra a qual o informalismo investe, a partir do inconsciente, acreditando numa ordem que frutifica pela absoluta liberdade do ato criador. Diferentemente da pintura informal americana, a organização do espaço é ditada, como no informalismo italiano e francês, por uma nítida hierarquia entre fundo e mancha que, no caso, ocupa geralmente a parte central da tela, dividindo-a verticalmente.
    

Da síntese dessas referências, alimenta-se a obra recente de Adriano Mangiavacchi, que junto com outros artistas brasileiros vêm demonstrando que o filão expressivo inaugurado pelo infornalisno ainda pode render e apontar alternativas para a pintura.

 

Texto crítico de Fernando Cocchiarale, publicada na

Revista Guia das Artes em 1988.